Como Evitar Lesão na Atividade Física

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Muito comum entre praticantes de atividade física, mas ainda maior entre praticantes de musculação, as lesões podem ter diversos graus, mecanismos de ocorrência e em cada indivíduo irá refletir de uma maneira diferente. A definição de lesão é bastante ampla e discutida, pode ser considerada qualquer dano tecidual (Jungle et al., 2002), qualquer dano físico promovido pela prática esportiva, resultando ou não na incapacidade do praticante (Weaver et al., 1999) ou mesmo uma condição ou sintoma resultante da prática esportiva/recreativa e que promova a interrupção da atividade por pelo menos 24h, alteração quantitativa (volume) ou qualitativa (exercícios e ou movimentos) da prática esportiva e por último, a busca por tratamento através de profissionais especializados (Caine D, e colaboradores, 1996).

As lesões podem ser divididas entre macrotraumatismos (entorse, pancada/contusão, estiramento excessivo, etc.) e microtraumatismos (repetições excessivas, inadequada recuperação ou execução de movimento, sobrecarga, etc.). Portanto mais associado à musculação, temos os microtraumatismos, gerados por exercícios realizados de maneira incorreta repetidas vezes, um longo período de tempo praticando musculação, porém sem dar o devido descanso ao corpo e até mesmo colocar carga demais para realizar os exercícios, fator que vai interferir na qualidade de movimento, e colocar em risco diversas estruturas do corpo (músculos, tendões, ossos, etc).

Ao se lesionar, inicia-se um processo inflamatório localizado, que dura aproximadamente 24h, no qual ocorre a defesa imunológica e o processo de regeneração. Neste momento os principais sintomas são dor, edema, calor e rubor no local da lesão. Na regeneração, são processos locais e sistêmicos inerentes à reconstrução celular que ocorrem, guiados pelas células-satélites. Após esta etapa ocorre a remodelação, onde ocorre a integração da estrutura lesionada no contexto funcional (recuperação da amplitude de movimento, mobilidade e flexibilidade do local lesionado).

Uma lesão requer cuidados específicos, pois pode promover agravo da situação, acometendo outras estruturas associadas ao local afetado. Em estudo realizado por de Souza e Junior (2010), 67% da amostra relataram sentir dores lombares, e mesmo com o desconforto, continuaram praticando a musculação. Em 2000, a Austrália teve um gasto aproximado de 1 bilhão de dólares no tratamento de lesões, 1 a cada 17 australianos já sofreu algum tipo de lesão capaz de afastar da atividade física. E um fato muito importante e que vale ressaltar, é que o futebol e a musculação foram as atividades que mais promoveram lesões num estudo realizado por Rombaldi et al (2014), 54% e 19,4%, respectivamente.

A dica é sempre respeitar os limites do corpo, saber que nem sempre quanto mais é melhor, quer seja mais treino ou mais carga. Lembre-se, durante o treino você tem o estímulo para chegar em seu resultado, mas é no descanso que você terá o processo que culminará em seu objetivo. Treino em demasia, aumentará o risco de lesões e dificultará ainda mais o seu progresso. Treine bem e de maneira eficiente, descanse e se alimente saudavelmente, pois assim o caminho ficará muito mais fácil.

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Educador Físico Formado Pela UFPR Pós Graduação em Treinamento de Força e Hipertrofia Email: gui.scots@yahoo.com.br CREF 020899-G/PR

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